NÃO SABER AO CERTO



Martela em minha cabeça o quanto não pertenço ao certo em algum lugar. Pessoas soam como crianças, com sorrisos forçados. Lugares tem cheiros desconfortáveis e barulhos nos quais fazem contorcer minha alma como se estivesse dando nós em mim mesma. A calma e o silêncio são meus amantes não compreendidos difícil reconhecer sua presenças, mas na falta eu apenas penso nisto. Meus pulsos sangraram todos os momentos que me senti não pertencida a algum lugar, pois sumir não é uma escolha para resolver esta angústia. Os ventos falam comigo dizem para que eu não escute o medo de ser eu em lugares que me trazem cinzas para meu corpo e me confortam de certa forma. Ler um pouco de Sylvia Plath me faz perceber o quanto amo poesia e ela me faz respirar junto com a escrita. Há algo de errado comigo, mas esses detalhes me curam como se fossem bandagens magicas feitas por mamãe. Mesmo ao chorar por sangrar tanto por todas minhas dores, minha ferida seca, cria uma casquinha irresistível de retirar mas resisto e me curo. Marcas existem e me fazem lembrar de tudo em um sacrifício durante a noite, noite gélida e sombria, onde nem um chocolate quente resolveria, mas uma cuba libre com muito limão e gelo iria fazer arder minhas marcas mesmo cicatrizadas. Gosto de noites assim, nas quais posso sentir um pouco de mim ao lado do meu abajur amarelo e ao fundo o som do vento batendo as folhas de árvores de mangas e miados sem proposito. Todo dia chove por aqui, mas a chuva durante a noite é a mais fria e me faz lembrar do meu casulo novamente. Não importa o quanto goste eu não me sinto presente como antes. Não sou mais virgem da minha própria verdade, assim como Perséfone provou a romã e se tornou rainha do submundo, eu me liberei para ser apenas eu. Agora chove forte, os ventos estão juntos com a chuva que deixa turva minha visão. Sinto novamente aquele frio, porém mais intenso. As árvores irão se afogar com tanta água, penso. Onde chove é meu lugar, onde há pessoas que respeitam minha essência como um ser que experimentou a romã e desflorou para sua verdade.




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